Dízimo na Bíblia: sua origem e a verdade nos dias de hoje

O dízimo na Bíblia nos é apresentado em três contextos:

Antes de Israel;

Em Israel – Lei de Moisés;

Na nova aliança – o Evangelho

Antes de Israel

Em Gn 14:18-24 vemos o registro de como Abraão entregou o dízimo ao sacerdote Melquisedeque. Esta passagem passa a ideia de que havia uma certa familiaridade entre Melquisedeque e Abraão, pois eles se encontram com facilidade e Abraão prontamente entrega o dízimo; isto não seria possível se não houvesse uma relação prévia de mútua confiança. A Bíblia não diz que Deus tenha ordenado a entrega de dízimo por Abraão, mas se Abraão o fez foi porque sabia de alguma forma que esta era a vontade de Deus. O fato de Abraão ser chamado de pai de todos os que creem (Rm 4:11) e de Jesus dizer que os filhos de Abraaão devem fazer as obras dele (Jo 8:39) fala diretamente a nós, filhos de Abraão em Cristo (Mt 1:1). Abraão e Melquisedeque são, assim, referências ao cristão e Cristo hoje (Hb 5:5-10 e 6:20).

Aqui vemos claramente que o dízimo na Bíblia não se restringe somente ao produto da terra ou animais, posto que Abraão deu o dízimo de tudo (Gn 14:20), e esse ‘tudo” foi o que ele resgatou de volta, seus bens que haviam sido roubados; certamente havia nisso muito mais do que grãos ou animais. Houve também o voto de Jacó (Gn 28:22) o qual igualmente coloca o dízimo na Bíblia como gratidão a Deus pela bênção que seria recebida, e como forma de reconhecimento de que o Senhor é seu Deus. Estas passagens denotam o contexto anterior a Israel do dízimo, bem como o caráter diversificado do seu conteúdo, ou seja, não apenas grãos e animais, mais “de tudo” (esta expressão aparece nas duas passagens, de Abraão e de Jacó).

Em Israel – Lei de Moisés

Em Israel novamente surge um sacerdócio, o Levítico, e com ele o povo sendo ordenado a entregar dízimos (Lv 27: 30-34, Nm 18:21-24). Os detalhes são um pouco diferentes em relação ao anterior mas a essência é a mesma: santificação, reconhecimento de que o Senhor é Deus, sustento da Casa do Senhor e dos sacerdotes, adoração e obediência. Em Israel havia 3 tipos de dízimos: o “normal” que deveria ser entregue aos levitas de ano em ano (Lv 27:30); um segundo, o qual tinha a finalidade de ser usado pela própria pessoa nas festas solenes do Senhor (Lv 14:22-26) e o “trienal” que deveria ser entregue a cada 3 três anos aos levitas da cidade do dizimista e aos estrangeiros, órfãos e viúvas (Lv 14:28-29). Em Israel o dízimo era entregue conforme as colheitas e os animais. Somente era trocado por dinheiro no caso do segundo dízimo, o das festas.

Os dízimos e ofertas são estabelecidos por Deus como a porção Dele para os Levitas como herança, pois estes não possuíam terras tal como as demais tribos. Tem-se claramente o sacerdócio e o seu respectivo sustento por meio dos dízimos e ofertas do povo. Aqui, porém, fica mais clara a bênção sobre os indivíduos e sobre a nação quando os dízimos são entregues e as consequências de não entregar: em Ne 10:37, por exemplo, vê-se a restauração da entrega dos dízimos como parte da reconstrução da adoração de Israel a Deus, juntamente com as demais atividades de culto. Todo o livro de Neemias mostra a nação se arrependendo dos pecados que a levaram ao exílio, e como parte deste arrependimento os dízimos voltam a ser entregues.

Na nova aliança – o Evangelho

Na Nova aliança, estabelecida pelo Senhor Jesus Cristo, o dízimo igualmente está presente, pois temos um Sumo Sacerdote, Jesus, a igreja como sendo a Casa de Deus e, ao mesmo tempo, também a igreja é povo que recebe ministração e sacerdotes que ministram (1 Pe 2:9). É importante esclarecer que Jesus certa vez disse que a Lei e os profetas vigoraram até João Batista (Lc 16:16) e que daí em diante Ele estava anunciando o Evangelho do Reino de Deus. Portanto, todo o ensinamento Dele diz respeito à Nova Aliança, não mais à Lei de Moisés na forma como foi apresentada. Nesse contexto Jesus ensina a obrigatoriedade de dizimar em Lc 11:32, trazendo para a igreja, no Reino de Deus, este mandamento, muito embora nesta passagem Jesus tenha citado lã, endro e cominho; contudo, Jesus deixa bem claro que o dízimo era algo que deveria ser feito.

Os livros escritos após os evangelhos mostram a continuidade do dízimo na Bíblia no contexto do sustento do sacerdócio em Gl 6:6; 1Cor 9:11, 1Tm 5:17-19; também há o ensino contra a avareza e o roubo, o qual por extensão pode ser associado ao dízimo em 1Cor 6:10, pois sabemos por Malaquias que não entregar o dízimo é roubar a Deus, assim como o dinheiro pode ser idolatrado conf. Mt 6:24 e os idólatras serão condenados conf. Ap. 21:8 e 22:15.

Nestas 3 épocas e contextos mencionados no início – Antes de Israel, Em Israel e na Nova Aliança – o dízimo é algo sagrado, é um mandamento e tem exatamente o mesmo significado, juntamente com as mesmas recompensas pela obediência e as mesmas consequências da desobediência. Isso nos mostra que o dízimo na Bíblia é universal, pois não está restrito ao tempo ou a lugares/nações, mas transcende os limites naturais, sendo um mandamento espiritual vindo de Deus, não uma invenção humana. Isto significa também que o dízimo não está restrito a algum tipo específico de bens ou renda, justamente porque em cada lugar e período de tempo a cultura local é que vai determinar em que consiste o sustento de cada um, definindo assim a espécie de dízimo que tem de ser entregue.

Dízimo é a décima parte; Deus ordena ao homem (mandamento) que lhe entregue a décima parte de sua renda, cada vez que a recebe. Esta décima parte é sagrada, ou seja, não pertence ao homem, é algo dedicado a Deus (Rm 2:22; aqui, roubar o templo pode ser entendido como tocar no dízimo pois este é dedicado ao sustento do templo, estrutura necessária para o funcionamento da igreja, templo do Senhor) portanto o homem não tem direito sobre esta parte, não a pode tocar. O ato de dizimar tem um significado muito profundo: é reconhecer de que Deus é o dono de todas as coisas (Rm 10:26; Gn 1:1); que o Senhor é também a fonte de tudo o que temos de bom (Tg 1:17) e aquele que permite ou não que tenhamos ou não alguma coisa (Sl 103:19); que ele é soberano e abençoador, nossa única fonte de bênção.

É uma resposta do homem diante da bênção de Deus. Uma resposta fisica, material, de gratidão e honra a Deus referente à benção integral recebida. É um ato de adoração, pois é a dedicação não só da décima parte, mas de toda a renda da pessoa, pois ao dizimar o cristão está dizendo para Deus que está santificando tudo o que possui (Ml 3:11). Este é o significado do dízimo na Bíblia enquanto ato de obediência individual de cada cristão para com Deus.

Coletivamente, o dízimo é também um ato de adoração porque traz sustento para a casa de Deus (Ml 3:10). Ora, na casa de Deus o culto coletivo acontece, pessoas são ajudadas materialmente e espiritualmente, etc. Estas e muitas outras atividades são sustentadas pelo dízimo na Bíblia. Os contextos nos quais a Bíblia apresenta o dízimo têm algumas coisas em comum: temos o sacerdócio, exercido por um ou mais sacerdotes; há aqueles que se beneficiam ou são atendidos pelo sacerdócio; e por fim temos o sustento deste sacerdócio, tanto das atividades/lugares quanto dos próprios sacerdotes, sendo suprido pelos dízimos e ofertas do povo em questão (Gl 6:6; 1Tm 5:17-18).

Por ser um mandamento, o ato de dizimar é obediência, o qual traz consigo recompensas da parte de Deus. Estas recompensas beneficiam o dizimista, aqueles que congregam com ele e principalmente a obra realizada na casa de Deus. Em Ml 3:10-12 fala da abundância (não necessariamente material, embora também o seja), da proteção e da felicidade. Em Ml 3:8-9 vemos que o não dizimar é definido como roubo, o qual traz maldição; obviamente, entende-se que acontecerá o contrário do prometido em Ml 3:10-12 àquele que não dizimar. Vale destacar também que uma função muito importante do dízimo na Bíblia é o sustento do sacerdote, não apenas da casa de Deus (1Ts 5:12 – este texto não diz especificamente sobre o sustento, mas menciona o fato de que há os que trabalham entre vós – ver Lc 10:7; também 1 Cor 9:9-11).

O dízimo na Bíblia é igual em importância a qualquer outro mandamento da Palavra, tal como amar, perdoar, ser puro, etc. Os que não obedecem a este mandamento pecam, não só pelo ato em si, mas também porque mostram o quanto estão afastados de Deus no seu coração, pois amam as riquezas e coisas materiais ao invés de Deus (Mt 6:24), além de desprezar completamente os que lhe servem como sacerdotes e desprezar grandemente a obra do Senhor, pois usufrui da igreja sem contribuir com ela.

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Fonte: jesuseabiblia

 

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